Os investimentos para a copa 2014 e o Ceará



OS INVESTIMENTOS PARA A COPA 2014 E O CEARÁ

PEDRO JORGE RAMOS VIANNA

Há exatamente dois anos, a FIFA anunciou que Fortaleza seria uma das subsedes da Copa de 2014.

À época os gastos anunciados e difundidos na imprensa chegavam ao montante de R$9,4 bilhões. Também à época, o PIB (a preços de mercado) cearense divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE, para 2008, estava ao derredor de R$60,1 bilhões.

Passados estes dos anos, qual a situação das duas variáveis aqui nominadas?

Em termos macro, as estimativas do IPECE para o PIB de 2010 é de R$75,0 bilhões e os gastos com os investimentos para a copa, de acordo com o Secretário Especial da Copa, Ferrúccio Feitosa (palestra em IBEFCE – CAFÉ COM FINANÇAS, 26/05/2011), englobarão algo em torno de R$5,8 bilhões. Estes gastos, segundo o Secretário, podem chegar, aproximadamente, a R$7,0 bilhões se considerados os investimentos da Prefeitura de Fortaleza não diretamente relacionados com a Copa.

Aqui, portanto, há dois fatos intrigantes. O primeiro é o grande crescimento do PIB do Ceará: no período daria um crescimento anual por volta de 11,5%. Este percentual seria atingido, conforme estudo que fiz em junho de 2009 (Carta Econômica – Nova Série – Vol. 2 , Nº 6, UEE/INDI/FIEC) se houvesse os investimentos anuais da ordem de R$3,13 bilhões. Mas estes investimentos não aconteceram, pelo menos no seu todo. Dos grandes projetos apenas o Centro de Eventos está sendo feito e as obras do Castelão somente agora foram iniciadas. Portanto, boa parte deste crescimento do PIB cearense não se deve aos investimentos para a Copa.

O segundo aspecto a ser levado em consideração é a grande diminuição das primeiras estimativas desses gastos (R$9,4 bilhões) para algo em torno de R$5,8 bilhões. O que aconteceu? Algumas obras previstas não serão feitas?

Dados estes desencontros contábeis, chegaremos à Copa com todo o “dever de casa” realizado?

Fortaleza, 31/05/2011

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.