Seca e Criatividade



Estamos em setembro e a seca continua assolando o sertão nordestino, como o comprovam os fatos da vida, a leitura dos jornais e a assistência dos noticiários de televisão. Sobre o sofrimento de suas vítimas, muito já se escreveu. Mas as secas não causam apenas miséria: também inspiraram a criação de romances, músicas, pinturas, estudos científicos, teses acadêmicas e propostas de políticas. Além de terem sido bem documentadas fotograficamente, sobretudo, as mais recentes.

 

As obras científicas, literárias e artísticas que têm a seca e a região onde ela incide como tema central ou pano de fundo incluem Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, talvez o mais importante livro escrito por um autor brasileiro; os romances A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida, O Quinze (1930), de Rachel de Queiroz, Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos; a série “Retirantes” (1944), do pintor Cândido Portinari; as canções “Asa Branca” (1947) e “Vozes da Seca” (1953), gravadas por Luiz Gonzaga; e o poema “Morte e Vida Severina” (1966), de João Cabral de Melo Neto. Embora mais mineiro que, propriamente, nordestino, o sertão de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas, 1956) também merece ser lembrado.

 

Vemos, portanto, que a seca destrói colheitas, mas estimula a criatividade. É sobre isso que quero falar – com palavras e, sobretudo, imagens – neste breve ensaio.

 

O texto completo pode ser acessado em: https://docs.google.com/file/d/0B_R9cylq9erzU1NHcW02RzlyX0k/edit



    Gustavo Maia Gomes


    Phd em Economia (University of Illinois, USA, 1985); Visiting Scholar (Cambridge University, England, 1987/88), Diretor do Ipea (Brasília, 1995-2003); Professor de economia da Universidade Federal de Pernambuco (1976-2009), Secretário de Planejamento de Pernambuco (1991), autor de livros e artigos; economista e escritor.