Brasil - O país da demora



 

PEDRO JORGE RAMOS VIANNA

Professor Titular da UFC, Aposentado

O Ceará acaba de sediar o ALL ABOUT ENERGY 2011. Foram três dias de palestras, conferências, debates e rodadas de negócios. O Encontro ocorreu no Centro de Convenções do Ceará, durante os dias 06-08 de julho corrente.

Além das informações puramente técnicas, o público assistente teve contato com inúmeras informações gerais, econômicas, de meio ambiente etc.

Eu, particularmente, aprendi além de muitas outras coisas, duas coisas que me fizeram pensar na demora que temos em utilizar os benefícios que a natureza nos oferece e o conhecimento que são gerados aqui e em outros países.

A primeira delas foi a seguinte: conforme explicado por um conferencista, A energia de um dia gerada pela luz do sol é suficiente para cobrir toda a demanda anual por energia hoje existente.

A segunda informação que muito me impressionou é que o carvão mineral brasileiro não é de boa qualidade e que somente 50,0% dele pode ser usado para gerar energia. Os outros 50,0% vão para gerar calor (vão para os altos fornos).

Que lições podemos tirar dessas duas informações?

A primeira é uma pergunta. Se a energia solar é abundante, portanto, sem preço econômico, por que só agora o Brasil se dá conta dessa fonte energética? E por que o Ceará, a Terra da Luz (epíteto que ganhou por ter sido o primeiro Estado brasileiro a abolir a escravatura – mas que também diz respeito à sua luminosidade natural, solar) também só agora começa a utilizá-la?

Quem visita a Capadócia, na Turquia, não pode deixar de se impressionar com o uso intensivo da energia solar naquela região: não há prédio sem suas células de captação da energia solar. Pelo que sabemos o PIB da Turquia é muitas vezes menor que o PIB do Brasil. Por que eles conseguem estar à nossa frente neste campo?

Por outro lado, sendo o Ceará a Terra da Luz, por que temos de utilizar energia gerada por uma usina a carvão?

Veja-se que como o carvão brasileiro é ruim, a sua utilização é subsidiada. As usinas que usam carvão brasileiro como fonte de calor recebem subsídios do governo federal e, assim, praticamente não pagam por ele.

Ora, onde está localizada a grande maioria dos altos fornos deste País? No Sudeste. Assim, o sudeste recebe um grande subsídio e este não está contabilizado nos subsídios federais àquela região.

Há muitos anos, na minha Tese de Professor Titular, demonstrei que os subsídios para o Nordeste não chegavam a 20,0% do que o Sudeste recebia. E note-se que este subsídio ao uso do carvão me passou despercebido à época.

Portanto, o Ceará ao inaugurar uma usina elétrica movida a carvão está contribuindo para aumentar o subsídio à região Sudeste.

Mas, o que tem tudo isto a ver com o título deste artigo? Obviamente pela demora do País em utilizar energia solar.

Entretanto o Brasil demora em tudo.

- Demora na Industrialização do País;

- Demora na educação técnica da população

- Demora na implantação de um sistema ferroviário nacional

- Demora em implantar sistema de metrôs nas grandes cidades. Veja-se o caso do Metrô de Fortaleza;

- Demora, até nas obras para a Copa do Mundo.

Só não demora na implantação de sistemas políticos corruptos!

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.