Que venham os médicos, engenheiros, enfermeiros, mestres de obra, professores e até economistas de Cuba, da Espanha, do Chile, da Cochinchina.



Os dias que abalaram o mundo (leia-se Brasil) trouxe à baila o problema da saúde pública no Brasil. Uma tabuleta no meio da multidão expressava uma ideia genial quanto a este assunto: Queremos Hospitais no Padrão FIFA.

 

O caso da saúde tomou mais relevância pela ação dos arautos da xenofobia e dos defensores da pseudo federação que é o Brasil.

 

No que diz respeito à xenofobia, esses arautos se esquecem de dois aspectos importantes: o primeiro é que os Estados Unidos, a Alemanha, a França... os países desenvolvidos não seriam o que são se não fossem os estrangeiros que para lá migraram.  Da mesma forma que São Paulo não seria o que é se não fossem os NORDESTINOS, os italianos, os japoneses e muitas outras etnias que lá se fixaram; o segundo aspecto, eles se esquecem que o Brasil é carente de mão de obra especializada, não só na área de medicina. Queiramos ou não, para que o Brasil se desenvolva é necessário importar essa mão de obra.

 

Um fato marcante que também aconteceu nessas últimas duas semanas foi o assassinato de uma criança boliviana. Por que os paulistas não lutam para a não importação dessa mão de obra boliviana para trabalhar nas suas indústrias de confecção? Porque estes pobres coitados vêm quase como escravos, portanto, mão de obra baratíssima!

 

E por que esta discussão é um retrato da pseudo federação instalada no País?

 

Será que se esses médicos fossem para suprir necessidades de São Paulo, haveria tanta celeuma? Claro que não.

 

Por que não gritam os sudestenses contra os 57.573 vistos de trabalho dados em 2012 para trabalhadores que para lá migraram, enquanto para o Nordeste só migraram 4.635 estrangeiros, conforme publicado no Jornal Valor (pág. A4), em 8 de julho de 2013?

 

O problema neste País é que os sudestenses não concordam com qualquer medida que venha beneficiar as populações nortistas e nordestinas.

 

Quando o mundo todo luta para acabar as desigualdades regionais, os sudestenses continuam a discriminar as populações das regiões mais pobres do Brasil.

 

Isto porque para eles o Nordeste é um sugadouro de recursos federais. Pura mentira, dolosa e inescrupulosa. Qualquer estudioso sério é capaz de mostrar que o grande sugadouro de recursos federais neste País é o Estado de São Paulo, secundado pelo Rio de Janeiro.



    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.