O Plano Brasil Maior e a alegoria do "Bode no elevador"



O PLANO BRASIL MAIOR E A ALEGORIA DO BODE NO ELEVADOR 

Pedro Jorge Ramos Vianna

Professor Titular da UFC,aposentado 

Para quem não conhece a alegoria do “Bode no Elevador”, vou explicar. Em um condomínio o elevador só dava problema e estava sempre lotado, porque o outro elevador estava sempre quebrado. As reclamações eram constantes. Então o síndico resolveu colocar um bode no elevador. A gritaria foi geral porque o “cheiro” do bicho era insuportável. Depois de uns dias, o Síndico tirou o bode do elevador. O alívio foi geral e ninguém mais reclamou da superlotação. 

Em que isto se aplica ao Plano Brasil Maior?  Vou explicar. No dia 12 deste mês de agosto, fui assistir a uma palestra de uma funcionária do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior-MIDC. Uma Senhora muito inteligente e muito bonita. A função dela foi explicar o Plano Brasil Maior. 

Eu fiquei surpreso com a satisfação dos empresários. Um chegou  a parabenizar o Governo porque “agora a indústria entrou na agenda/pauta”. 

Ora, com a taxa de juros no patamar que está (é a maior taxa de juros real do mundo), com o Real sobrevalorizado (em junho a sobrevalorização estava em torno de 138%), com a maior carga tributária entre todos os países emergentes (inclusive os BRICAS), ficar feliz porque o Governo resolveu dar 3,0% (três por cento) de reposição tributária sobre as exportações (e somente para determinados setores) é se contentar com muito pouco. 

Os empresários  se esquecem que os fundamentos da economia brasileira não estão bem (o balanço de pagamentos em conta corrente está sempre deficitário, a variação no estoque de moeda está maior que a variação nos preços etc); que o espectro da inflação está nos rondando; que há um processo de desindustrialização em curso no País; que a Copa pode ser um fiasco pelo não cumprimento das metas de investimentos físicos necessários, e  assim por diante. Isto sem falar que não há qualquer planejamento econômico para o País. Há uma enchurrada de “programas e planos”. É o Bolsa Família; Minha casa, Minha Vida; Energia para Todos; Plano Brasil Maior; Brasil sem Miséria; etc., etc., etc. 

Mas um Plano de Desenvolvimento bem estruturado, com objetivos claros e factíveis, com ações voltadas para que tenhamos um crescimento econômico duradouro e includente, com a extinção das disparidades de renda, sejam pessoais, locais ou regionais, isto não existe. 

Como se pode ter desenvolvimento se os custos dos investimentos públicos no Brasil, por conta da corrupção, inépcia, desrespeito à sociedade tornam estes investimentos quando não verdadeiros “elefantes brancos”, um emaranhado de obras que quase sempre não atendem ao “timing”, nem ao tamanho, nem à necessidade da sociedade? 

Assim, voltando á nossa alegoria, o Governo tirou o bode e colocou uma mulher bonita no Elevador Brasil (lembrem-se que elevador não somente sobe). Isto para os empresários foi o máximo.

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.