Previsões do FMI para a Economia Brasileira



PREVISÕES DO FMI PARA A ECONOMIA BRASILEIRA 

PEDRO JORGE RAMOS VIANNA

Professor Titular da UFC, aposentado

 

No dia 20 último o FMI deu a lume o seu “World Economic Outlook”, no qual aquela Instituição faz várias estimativas (para os anos 2011 e 2012) sobre as economias de todos os países a ele filiados. 

Na Tabela 2.5 do Documento são apresentados os dados para os países das Américas. Estes dados cobrem as variações (projetadas) do PNB, do Índice de Preços ao Consumidor, do Balanço de Pagamentos em Conta Corrente e do Desemprego.

Os dados sobre o PNB são apresentados na Tabela 1, abaixo 

TABELA 1

PREVISÕES DO PNB BRASILEIRO FEITAS PELO FMI

2010-2012


FONTE; IMF – World Economic Outlook, September 2011 


Conforme se pode ver,  as previsões do FMI para o crescimento do PNB do Brasil em 2011 e 2012 são, praticamente, a metade do previsão para 2010. E – mais importante – apresenta viés decrescente. Vale também chamar a atenção que as previsões para o Brasil são menores de  todos os países sul americanos, exceto a Venezuela. Em relação aos dados apresentados na Tabela 1, as taxas de crescimento do Brasil estão em torno da metade das taxas daqueles países. 

Estes dados revelam que há algum problema com a economia brasileira, haja vista que o Brasil é a maior economia da região e, no dizer do Governo, estamos às mil maravilhas. 

Olhando agora para o aspecto “inflação”, apresento a Tabela 2, onde os dados sobre as previsões de variação do Índice de Preços ao Consumidor são expostos. 

TABELA 2

PREVISÕES DA INFLAÇÃO BRASILEIRA FEITAS PELO FMI

2010-2012


FONTE; IMF – World Economic Outlook. September 2011

 

Pode-se verificar que as previsões para a inflação brasileira suplantam as previsões de Chile  e estão abaixo das previsões para a Argentina e Paraguai. 

É interessante verificar que o “trade of” inflação/crescimento econômico apresenta correlação positiva para Argentina e Paraguai e correlação negativa para Brasil e Chile. Desta forma, a argumentação de Keynes de que um pouco de inflação é indutora do crescimento econômico não apresenta respaldo inconteste.

No que diz respeito ao Balanço de Pagamentos em Conta Corrente, as variações dessa variável são apresentadas na Tabela 3, a seguir.

TABELA 3

PREVISÕES DO COMPORTAMENTO DO BPC/C  DO BRASIL FEITAS PELO FMI

2010-2012


FONTE; IMF – World Economic Outlook. September 2011

 

As previsões para o comportamento dos Balanços de Pagamentos em Conta Corrente para os países das Américas não são nada animadoras. Veja-se que em 2011 à exceção do Chile, os números da  nossa Tabela 3, são todos negativos. O mesmo fenômeno acontece  para 2012 (á exceção do Caribe).

Estes resultados são o reflexo da crise internacional que teima em não acabar. Na realidade as perspectivas é que tenda a se agravar. No Caso do Brasil, esta conta quase sempre apresenta resultados negativos, haja vista que os saldos Balanço de Serviços (sempre negativos) superam os saldos do Balanço Comercial (algumas vezes positivos). 

Finalmente, a última variável constante do estudo do FMI: a taxa de desemprego. Na Tabela 4, os dados são apresentados.

TABELA 4

PREVISÕES DO COMPORTAMENTO DA TAXA DE DESEMPREGO NO BRASIL FEITAS PELO FMI

2010-2012


FONTE; IMF – World Economic Outlook. September 2011

 

Quanto a esta variável, a situação brasileira não parece tão preocupante, haja vista que as taxas apresentadas seguem a perspectiva histórica do nosso País. O que chama a atenção é a tendência ascendente dessa previsão. Veja-se que em 2012 a taxa de desemprego do Brasil está prevista como a maior dentre os países mostrados na Tabela 4. 

Mas o preocupante é que as previsões para as quatro variáveis apresentam tendência de piora. Em outras palavras, a taxa de crescimento do PNB está prevista apresentar comportamento descendente; a inflação é prevista recrudescer; o déficit no balanço de pagamentos em conta corrente é previsto aumentar e a taxa de desemprego, também. Portanto, o Governo deve tomar medidas econômicos contra-ciclo, para evitar que tenhamos uma crise de maiores proporções a que estamos presenciando.

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.