Como o brasileiro se comporta frente ao meio circulante



Pedro Jorge Ramos Vianna

Pesquisa realizada pelo Banco Central do Brasil, durante os meses de janeiro e fevereiro de 2010, nos municípios de 100.000 habitantes ou mais (inclusive as capitais estaduais e o Distrito Industrial), entrevistando o público em geral (pessoas com mais de 16 anos) e o setor de comércio, revela que os entrevistados têm o seguinte comportamento quanto ao uso de cédulas e moedas:

QUADRO

COMPORTAMENTO DOS BRASILEIROS NO USO DE CÉDULAS E MOEDAS

2010

ATITUDE

PERCENTUAL

%

Cidadãos comuns

Fazem seus pagamentos em dinheiro

72,0

Dos pagamentos mensais são feitos com dinheiro

59.0

Em média, em um dia típico, leva consigo R$36,00

50,0

Em média, transportam consigo R$10,00

52,0

Em média, transportam consigo R$100,00

5,0

Em média, retiram de caixas eletrônicos R$50,00

55,0

Do total dos entrevistados acham que o BACEN deveria lançar moedas de R$2,00

62,0

Recebimento de cédulas falsas

36,0

Recebimento de cédula falsa de R$50,00

19,0

Jogam fora as cédulas falsas de R$50,00

30,0

Procuram verificar se a cédula é falsa

61,0

Verificam se a cédula é falsa via marca d’água

41,0

Setor Comércio

São clientes do Banco do Brasil

30,0

São clientes do Bradesco

27,0

Do total dos entrevistados acham que o BACEN deveria lançar moedas de R$2,00

71,0

Jogam fora as cédulas falsas de R$50,00

27,0

 

Não analisamos aqui todas as perguntas constantes do questionário. Também não analisamos para o Setor Comércio, todas as perguntas que analisamos para público em geral, para não tornar esta Nota muito extensa.

Algumas respostas chamam a atenção por registrar traços de comportamento que têm influência direta na velocidade da moeda.

A primeira diz respeito ao modo de fazer os pagamentos: o cidadão comum brasileiro usa o dinheiro como forma predominante de fazer seus pagamentos. Isto significa que cheques e cartões de crédito não jogam papel importante quanto a este assunto.

A segunda, quanto ao comportamento de portar dinheiro em espécie consigo. Na média, cada entrevistado tem o hábito de carregar consigo R$36,00. Se tomarmos a população urbana brasileira (por volta de 161.041.000 habitantes) como tendo este mesmo hábito, isto representa uma circulação de dinheiro, diariamente, em poder do público, da ordem de R$5.797.476.000,00

A terceira observação é sobre o hábito de jogar fora as cédulas falsas. Os percentuais são muito elevados, haja vista que isto representa um prejuízo real para a pessoa/comerciante que recebeu tal cédula. Esta atitude representa comodismo ou falta de segurança de que seu prejuízo será ressarcido pela troca da cédula no setor bancário?

 

Para ver a pesquisa clique aqui.

 

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.