Brasil: contradições no conceito mundial



BRASIL: CONTRADIÇÕES NO CONCEITO MUNDIAL

Osmundo Rebouças

28/11/2011 

Nos últimos dias, duas importantes publicações internacionais divulgaram matérias sobre o Brasil: a revista “The Economist – 26/11/2011” e a “New Yorker” –edição que vai sair dia 05/12/2011. 

A primeira apresenta uma imagem da Presidente Dilma varrendo a Praça dos Três Poderes, em Brasília, isto é, fazendo “faxina” para expulsar os corruptos da “fábrica de porcos” que dominariam o governo (v. nossa postagem de 26/11/2011). Diz que poderiam que ser feitas mais reformas morais e administrativas, apesar das pressões do Congresso. 

A revista “New Yorker” considera uma inconsistência entre corrupção e crescimento consistente no Brasil, apesar de problemas de infraestrutura de segurança, educação, transporte etc. Diz que o País tem exibido um bom desempenho econômico, com redução das desigualdades e liberdade econômica e política. 

Até aqui nos referimos à repercussão externa desse progresso que parece ser esdrúxulo, pois não seria aceitável um bom crescimento da economia com tantos entraves estruturais. Por que seria esse fato viável com baixa poupança, incapacidade de fazer as reformas política, tributária, administrativa, previdenciária etc.? 

Consideramos essa “inconsistência” que estamos vivendo um período de subdesenvolvimento que engana as pessoas incautas, que não sabem distinguir entre o autêntico desenvolvimento sustentável e um crescimento insustentável de que pode durar algum tempo, mas que tem em seu bojo o germe da destruição futura. 

Usemos alguns conceitos de desenvolvimento sustentável que consideramos respeitáveis: a) o de Dudley Seers: a redução sustentável da pobreza absoluta, do desemprego e da desigualdade ao nível tolerável; b) o conceito de Celso Furtado: um estágio permanente de superior organização social; c) o conceito de Amartya Sen, em que todas as pessoas têm condições de exercer a plena liberdade de cidadania (educação, saúde, alimentação etc). 

Analisando a situação do Brasil de hoje, em nenhum conceito o nosso País pode ser considerado desenvolvido (sustentável). Requisitos essenciais não preenchidos, a começar pela educação de excelência, falham em comparação aos países adiantados. Avanços em ciência e inovação tecnológica deixam muito a desejar. Infraestrutura econômica e social têm sérios problemas. Corrupção grassando em larga escala no setor público, obrigando a Presidente a tomar grande parte de seu precioso tempo em tarefas de “faxina”.

Em suma, nós brasileiros e os gringos que tentam entender a evolução da nossa economia e sociedade, têm que encarar este período como de “progresso econômico” temporário do País.  E temos que aceitar: reformas estruturais terão que ser ainda postas em prática, como condição “sine qua non”, antes que chegue o estágio que pode ser chamado “desenvolvido e sustentável”. Para tudo isso, falta um Projeto de Brasil. São providências difíceis de executar, porém viáveis, e só dependem da união de todos os brasileiros de boa vontade.

(Este artigo foi publicado em www.economiasociedade.com e no Portal Econometrix)


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    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.