Alta corrupção é compatível com desenvolvimento sustentável?



ALTA CORRUPÇÃO É COMPATÍVEL COM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?

Osmundo Rebouças*

03/12/2011

 

Com a divulgação recente dos indicadores de Índices de Devolvimento Humano (IDH), da ONU, e dos Indicadores de Corrupção, da Transparência Internacional, a revista "The Economist" comparou esses dados para 187 países.  

O gráfico acima, onde o eixo vertical marca o IDH (quanto mais alto o IDH - de 0 a 1-, mais rico se considera a País), e no eixo horizontal o índice de "Percepção de Corrupção" - de 1 a 10) (quanto mais elevado é, menos corrupto é o país - ou mais ético, na gestão pública combinada com negócios particulares). Esta "percepção" é baseada em questionários junto a executivos de empresas que têm negócios com o setor público. É uma opinião da experiência de cada um. 

No gráfico, mostra-se o ponto de cada País, ligando o IDH e a Percepção de Corrupção (ou ética), e observa-se o seguinte: a partir de 4 de grau de corrupçao, em geral, existe forte relação entre riqueza e ética, segundo a revista "The Economist".

Mas se trata apenas de uma conclusão geral. A Grécia e a Itália têm IDH alto, mas ética muito baixa, fato que outros fatores culturais e antropológicos precisam explicar.

Buscamos nas tabelas de IDH (da ONU) a ordem de cada país no IDH, e da Transparência Internacional o grau de cada País na corrupção.

O Brasil tem ordem 84 do IDH entre os 187 países, e grau de corrupção 3,8 (entre 1 e 10). E o Brasil tem 83 países mais ricos (em IDH) que ele, porém 103 mais pobres. Portanto, o nosso País ainda está muito longe de ser desenvolvido.

Os demais BRICS são próximos ao Brasil em termos de grau de corrupção: China: 3,6; Rússia: 2,4 (péssimo), Índia 3,1: África do Sul: 4,1. Países de alto IDH, em geral, têm bastante mais ética quanto a propinas com o dinheiro público: ex.: grau da Finlândia: 9,4; Suécia: 9,3; Alemanha: 8,0; Reino Unido: 7,8; Estados Unidos: 7,1; Canadá: 8,7.

Perguntas inquietantes para meditação: quando o Brasil alcançará o grau 7 em ética? Sem ética elevada, é possível aspirarmos a um IDH alto? O que é preciso fazer: qual a nossa atitude como cidadão? 

 

*www.economiasociedade.com 



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.