China: Instrução - Armas de educação em massa, mas...



CHINA: INSTRUÇÃO - ARMAS DE EDUCAÇÃO EM MASSA, MAS...

Osmundo Rebouças

A revista Veja, de 21/12/2011, oferece aos leitores uma excelente matéria da pujança da instrução na China, exemplo que, aliás, deve servir de inspiração à nossa combalida situação dos nossos programas educacionais. Pois sabemos, aqui entre nós, que as escolas brasileiras públicas não passam de retórica - “faz de conta” - para enganar os menos informados nessa matéria. Anos após anos, décadas após décadas, cada vez mais o desempenho nos nossos alunos e de nossas pesquisas deixa a mais a desejar perante os países avançados. 

A Veja pecou, pois deveria servir para nós, em matéria de instrução,  que a China  deixa muito a desejar em aspectos ligados à formação integral de seus alunos e de seus  cidadãos maiores. Em termos sumários, complementarmente ao excelente programa de instrução: 

a)  seria muito útil se transmitisse à juventude chinesa os direitos humanos fundamentais que todos os cidadãos devem ter e não  têm por lá, entre outros: direito de expressão de dizer o pensa, como o de escrever criticando os meandros do Partido Comunista, propor eleições livres para o País, e não só escrutínios locais;

b) fazer toda a juventude chinesa cerrar fileiras contra a corrupção, para tirar o País da condição de campeão da desonestidade das relações envolvendo setor privado-setor público, como demonstrado nas melhores pesquisas; justiça com defesa ampla do cidadão etc;

c)  eliminar péssimo conceito de país mais poluidor do mundo;

d) abrir a internet para todo as pessoas, vez de cercear a liberdade das comunicações externas e internas.

Sem esse clima de liberdade, a China nunca poderá ser chamada de “país desenvolvido”, mas apenas rico e crescente, com um excelente programa de instrução para todos. Mas esse programa não é suficiente para construir um país de perfeita organização social, onde todos os cidadãos possam usufruir livremente suas liberdades.



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.