Cenário da Economia Brasileira



CENÁRIO DA ECONOMIA BRASILEIRA

(Com base no Boletim Macrométrica – jan/2012)

A desaceleração mundial teve repercussão modesta sobre a trajetória de crescimento do PIB brasileiro, que desacelerou para próximo de zero em 2009, mas retornou ao forte crescimento de 7,5% em 2010. Deve ficar entre 2,5% e 3,0% em 2011 e entre 3% e 3,5% em 2012. Produção industrial crescendo na faixa de 5,0 a 5,5% em 2013-15. Maiores taxas de crescimento em 2012 na produção industrial de bens de capital (7,0%), na extrativa mineral (7,0%) e na construção civil (7,0%). Produção de bens de consumo e bens intermediários com crescimento ainda reduzido em 2012, basicamente devido ao carry-over negativo de 2011.


O PIB crescerá de 2,8% em 2011 para 4,3% em 2016, com certa estabilidade nessa trajetória. A industria: dos atuais 1,9% para 4,8% em 2016. A agricultura: de 2,6% para 2,8%.  Os serviços: de 2,8% para 3,7%.

Em 2016-17 a taxa de crescimento da economia brasileira será afetada pela desaceleração global da atividade econômica e pela política monetária mais restritiva em resposta à aceleração inflacionária produzida pela correção da taxa de câmbio. No longo prazo a taxa de crescimento do PIB converge para a faixa de 4,0 a 4,5% ao ano. Crescimento anual médio fica próximo a 4,0% até 2021.

A forte recuperação da indústria automobilística em 2010, que produziu crescimento próximo a 10% na produção total do setor e a 55% nos caminhões, não se repetiu em 2011. Crescimento da produção do setor deverá ser reduzido em 2011-12 pelo impacto da política monetária, das importações e também da dinâmica endógena dos estoques.

A recuperação do setor a partir de 2012 fica mais clara no gráfico da variação percentual sobre o mesmo trimestre do ano anterior. Nessa medida a produção de automóveis terá variação próxima a 6% ao longo de 2012 e próxima a 9% ao longo de 2013.

Desaceleração mundial, em combinação com a forte recuperação brasileira, produziu importante descompasso nas trajetórias de evolução de exportações e importações.

Como conseqüência os saldos da balança comercial (exportação menos importações de bens) e em transações correntes (incluindo serviços, juros e remessas de lucros) apresentam tendência de deterioração ao longo do tempo, pelo menos até 2019.

Como percentual do PIB o balanço em transações correntes evoluirá para um déficit próximo a 3,0% em 2017. Investimento direto (FDI) mais carteira, depois de alcançar 5,5% do PIB em 2009 e 5% do PIB em 2010, perde velocidade e converge no longo prazo para próximo de 2,5% do PIB.

Taxa de câmbio R$/US$ com tendência ascendente chegando próximo a R$ 2,30 em 2019 e convergindo no longo prazo para próximo de R$ 2,20. O Banco Central utilizará suas reservas internacionais e operações com derivativos para obter um ajuste gradual do câmbio, “administrando” passo a passo o ritmo da desvalorização, particularmente a partir de 2013-14, de modo a manter a inflação permanentemente abaixo do teto da meta de 6,5%.

TJLP praticamente estável, em 6%, até o final de 2017, convergindo para próximo de 4% no longo prazo.

Taxa SELIC depois de ter atingido um pico de 12,5% fechará o ano em 11,0% e evoluirá para 9,25% em 2012 e 8,25 em 2013. Volta a subir moderadamente em 2014-15 com a nova aceleração da inflação produzida pelo ajuste cambial. No longo prazo converge para próximo de 6,0%. De forma gradual a economia brasileira evoluirá para taxas de juros alinhadas ao padrão internacional, o que eventualmente permitirá uma livre flutuação autêntica da taxa de câmbio.

Convergência entre as taxas de juros SELIC e dos FED funds ocorre de forma muito gradual. No longo prazo taxa dos FED funds converge para próximo de 4,0% e o diferencial entre as taxas converge para a faixa de 1,5 a 2,5 pontos de percentagem.

Em 2012-13, com a contribuição dos preços de alimentos e dos derivados do petróleo, a inflação do IPCA fica próxima a 4,5%. Volta, porém, a acelerar em 2014-15 com o impacto cambial e converge para próximo de 4,0% no longo prazo.

O resultado primário do Governo Federal mais Banco Central, melhora em 2011 devido ao aumento das receitas. A partir de 2012 o resultado primário do Governo Federal, como percentual do PIB, ficará estável na faixa de 2,1% a 2,2% até 2014. Déficit da Previdência como % do PIB em movimento persistente de alta até 2016.

O superávit primário melhora em 2011, mas em seguida permanece estável, entre 2,5 e 3,0% do PIB. Dívida Líquida Total como % do PIB cai de forma gradual e consistente no longo prazo.

Bolsas de valores internacionais sem tendência definida no horizonte de três meses. Ibovespa acompanha.

Relação Ibovespa/SELIC depois da queda de 2011 sobe até meados de 2015. No acumulado desse período a rentabilidade das ações deve superar em larga medida a da renda fixa. Ibovespa volta ao nível de 70 mil pontos do final de 2010 por volta de março de 2013.

(O Boletim Macrométrica – janeiro 2012 – nos foi gentilmente cedido pelo Prof. Dr. Francisco Lopes, da MACROMÉTRICA - Rio de Janeiro; baseia-se em modelo macrométrico próprio, para grandes empresas do Brasil). 



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.