A economia do Mundo e do Brasil dentro dos próximos cinco anos



A Economia do Mundo e do Brasil dentro dos próximos cinco anos

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 Osmundo Rebouças

Em cada mês, a consultoria Macrométrica divulga suas estimativas de cenários para os próximos cinco anos. Utiliza modelos econométricos da melhor credibilidade, em elevado nível. Grandes empresas acompanham estas previsões. Nós nos credenciamos para receber os resultados destas pesquisas, graças à gentileza do seu diretor, Prof. Francisco Lopes, PhD de Harvard e ex-Presidente do Banco Central. 

CENÁRIO INTERNACIONAL

1. Taxa de desemprego nos Estados Unidos mantém um movimento de queda que, porém, só ganhará maior velocidade em 2014. A lenta recuperação nos preços de imóveis e no financiamento de hipotecas, combinada à retração nas finanças estaduais e municipais e ao impasse político no Congresso, pelo menos até o final de 2012, compromete a velocidade da recuperação na geração de empregos. 

2. Taxa de crescimento (% 4 trimestres) do PIB da China ficou acima de 9% em 2010-11, mas cai em 2012 e converge no longo prazo para a faixa de 8 a 9%. 

3. A elevação nos preços de combustíveis eventualmente contaminará a inflação dos preços ao consumidor nos Estados Unidos, repercutindo também nos preços de alimentos. O núcleo (core) da inflação no CPI deve, porém, permanecer próximo à meta de 2% até o final de 2013, o que permitirá que o FED mantenha a política de juros baixos. 

4. A pressão dos preços de commodities e a recuperação da economia mundial produzirão pressão inflacionária importante em 2014-16, gerando, como resposta da política monetária, uma elevação da taxa dos FED funds até nível próximo a 6% . 

CENÁRIO DA ECONOMIA BRASILEIRA

1. Depois do forte e atípico crescimento de 7,5% em 2010, era natural que a economia brasileira perdesse velocidade em 2011. Isto se deveu também ao impacto do aumento do coeficiente de importações nos setores de bens de consumo duráveis e intermediários. A economia volta a se acelerar ao longo de 2012, com variação percentual do PIB ao final do ano próxima a 4,5%. 

2. Se considerarmos as taxas de crescimento do PIB medidas pela variação percentual sobre o mesmo trimestre do ano anterior teremos números na faixa de 4,5 a 5,0% entre 2012-15, com destaque para a produção de bens de capital e a construção civil. 

3. Em termos de taxas de crescimento da média anual a produção industrial crescerá na faixa de 4,5 a 5,5% em 2013-15. Maiores taxas de crescimento em 2012 na extrativa mineral (7,5%) e na construção civil (7,0%). Produção de bens de consumo, bens de capital (particularmente caminhões) e bens intermediários com crescimento ainda reduzido em 2012, ainda em conseqüência das importações e do carry-over negativo de 2011. 

4. Em 2016-18 a taxa de crescimento da economia brasileira será afetada pela desaceleração global da atividade econômica e pela política monetária mais restritiva em resposta à aceleração inflacionária produzida pela correção da taxa de câmbio. No longo prazo a taxa de crescimento do PIB converge para a faixa de 4,0 a 4,5% ao ano. Crescimento anual médio fica próximo a 4,0% entre 2012 e 2022. 

5. Desaceleração mundial, em combinação com a forte recuperação brasileira, produziu importante descompasso nas trajetórias de evolução de exportações e importações em 2010-13. 

6. Como conseqüência os saldos da balança comercial (exportação menos importações de bens) e em transações correntes (incluindo serviços, juros e remessas de lucros) apresentam tendência de deterioração pelo menos até 2013.  

7. Como percentual do PIB o balanço em transações correntes evoluirá para um déficit próximo a 2,5% por volta de 2022. Investimento direto (FDI) mais carteira, depois de alcançar 5,5% do PIB em 2009, 5,0% do PIB em 2010 e 4,1% do PIB em 2011, perde intensidade até 2018, mas também converge para próximo de 2,5% do PIB no longo prazo 

8. Taxa de câmbio R$/US$ com tendência ascendente chegando próximo a R$2,25 em 2018 e se mantendo no longo prazo na faixa de R$2,15 a R$2,25. O Banco Central utilizará suas reservas internacionais e operações com derivativos para obter um ajuste gradual do câmbio, “administrando” passo a passo o ritmo da desvalorização, particularmente em 2013-14 e 2017-18, de modo a manter a inflação permanentemente abaixo do teto da meta de 6,5%. 

9. O ajuste cambial produz, no médio prazo, uma significativa redução da relação entre déficit em transações correntes e exportações, que é a variável chave para avaliar a vulnerabilidade da posição externa. 

10. Taxa SELIC depois de ter atingido um pico de 12,5% fechou 2011 em 11,0% e evoluirá para 9,0% em 2012, com o COPOM estabilizando a taxa entre abril e dezembro. Em 2013 cai para 8,0%, mas volta a subir moderadamente em 2015-16 com a nova aceleração da inflação produzida pelo ajuste cambial. No longo prazo converge para próximo de 6,5%. De forma gradual a economia brasileira evoluirá para taxas de juros alinhadas ao padrão internacional, o que permitirá a livre flutuação autêntica da taxa de câmbio. 

11. Convergência entre as taxas de juros SELIC e dos FED funds ocorre de forma muito gradual. No longo prazo taxa dos FED funds converge para próximo de 4,0% e o diferencial entre as taxas converge para a faixa de 2,0 a 3,0 pontos de percentagem. 

12. Em 2012-14, com a contribuição dos preços de alimentos e dos derivados do petróleo, a inflação do IPCA fica próxima a 5,0%. Volta, porém, a acelerar em 2015-16 com o impacto do movimento da taxa de cambio, o que provoca a elevação da taxa Selic. No longo prazo, converge para a faixa de 3,5% a 4,0%. 

13. O resultado primário do Governo Federal mais Banco Central como percentual do PIB ficará estável na faixa de 2,0% a 2,15% até 2017. Déficit da Previdência como % do PIB em movimento persistente de alta. 

14. O superávit primário do setor público deve permanecer estável, entre 2,5 e 3,0% do PIB. Dívida Líquida Total como % do PIB continua caindo de forma gradual e consistente no longo prazo. 

15. Bolsas de valores internacionais sustentam o movimento de alta no horizonte de três meses. Ibovespa acompanha com destaque. 

16. Relação Ibovespa/SELIC sobe consistentemente até meados de 2015. No acumulado desse período a rentabilidade das ações deve superar em larga medida a da renda fixa. Ibovespa supera os 80 mil pontos em meados de 2013.



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.