Relação entre idade e felicidade; Fatores subjetivos no cálculo econômico



RELAÇÃO ENTRE IDADE E FELICIDADE;

FATORES SUBJETIVOS NO CÁCULO ECONÔMICO

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Osmundo Rebouças

            Pesquisa realizada nos Estados Unidos revela que, em geral, as pessoas se declaram mais felizes quando jovens, com decréscimo de felicidade até cerca de 50 anos. Depois dessa fase, começam a se sentir mais felizes até a velhice (82-85 anos).

Um gráfico em forma de U mostra a idade – no eixo horizontal, e no eixo vertical - num grau de 1 a 10, segundo declarações da  própria pessoa.  Vários fatores afetam esse estado de espírito:

 a) gênero (mulheres são mais se sentem mais felizes que homens, embora mais sujeitas a depressões temporárias);

 b) personalidade: conforme os indivíduos sejam mais ou menos nervosos;

c) circunstâncias de relações sociais mais ou menos agradáveis;

 d) idade: em torno dos 40, a pessoa piora até o mínimo de bem-estar, até cerca de 46 anos, então começa a se sentir mais feliz ao passar dos 50. 

Numa mudança metodológica de grande relevância é a curva da relação entre felicidade e idade (em forma de U), desenhada de  acordo com a pesquisa de Arthur Stone. O atual interesse nesse assunto aumentou após os governos americano, francês e britânico terem procurado alternativa ao critério de PIB (Produto Nacional Bruto) como critério de felicidade da população, priorizando então fatores subjetivos. 

Para priorizar também fatores não econômicos, além do  cômputo do Produto Interno Bruto (PIB = soma monetária de todos os bens e serviços produzidos no País durante um ano), a Fundação Getúlio Vargas anunciou recentemente a criação, para o Brasil, do índice da”Felicidade Interna Bruta” (FIB), em contraposição ao PIB já tradicionalmente calculado pelo IBGE, para todas as regiões (O Estado de São Paulo, 23/03/2012). Esse fato representa uma profunda inovação nos cálculos econômicos e na avaliação de projetos. 

Para dar alguns exemplos, um aumento do PIB pode não ser compensado pelo forte aumento da degradação do meio ambiente; a construção de uma fábrica pode não ser desejada por trazer conseqüências danosas à saúde e ao bem estar das populações da vizinhança; o aumento de produção pode não ser interessante por causar a forte influência de imigração de trabalhadores estrangeiros. Ou seja, a análise de um projeto deve fazer a uma análise custo-benefício, que leve em conta componentes objetivos (em reais) e subjetivos (difícil de monetizar). 

 Países como Butão já adotam o indicador de Felicidade Nacional Bruta (FNB),  que  leva em conta fatores subjetivos;  está em crescimento uma forte tendência nesse sentido de mudança metodológica. (The Economist, 16/02/2010 edição impressa).  http://media.economist.com/images/images-magazine/2010/12/18/xj/20101218_xjc736.gif



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.