Somos todos Monarquistas?



 

Será que somos todos monarquistas?

Pádua Ramos

Foi curioso o interesse, a atenção, a dedicação mesmo, --
com que nós brasileiros, de todas as idades, de todos os sexos, de todas as
profissões e assim por diante acompanhamos o casamento do Príncipe William
com Catherine, ocorrido para lá do paralelo 50o-N e do Meridiano de
Greenwitch. Nas paisagens frias da Inglaterra. O povo brasileiro guarda no
seu subjetivismo a nostalgia inconfessa dos tempos em que tínhamos Imperador
e Imperatriz. É sentimento como que escondido. Aliás, não tão escondido
assim - eis que na falta dos verdadeiros elegemos os simbólicos. Daí o "Rei
Pelé". O "Rei Roberto Carlos". A "Raínha Xuxa".


E mais: a "Raínha da Bateria da Escola de Samba da Portela"
e outras rainhas.

Quando apreciamos a postura elegante de um cavalheiro, dele
dizemos que é um "Príncipe". Há namorados enamorados de, para eles,
"Princesas" verdadeiras. Que assim é que elas são tratadas: tratadas por
eles, note bem, "principescamente". Quando elogiamos os gestos educados de
uma pessoa, estamos a elogiar gestos "fidalgos". A terminologia dos paços
entranhou-se insidiosamente em nossa psicologia de povo.

Os prédios de governos municipais, estaduais e federais são
alvo desse saudosismo que faz deles "palácios". Assim, tem-se o "paço"
(palavra que expressa, como sabemos, a forma contrata de palácio) municipal.
E ainda, no caso cearense, o "Palácio da Abolição". Em Brasília, o "Palácio
do Planalto" e outros "palácios".

Há também, agora mencionando Fortaleza, o "Rei da Panelada" e
a "Raínha da Panelada, a Verdadeira Dona do Trono". Já se vê que a
miscigenação cultural promove a panelada em iguaria digna de culinária
palaciana. Viva o Brasil.

***

Será que estamos caminhando em silêncio de volta para a
Monarquia? Teríamos, assim, o Rei, como Chefe de Estado, sobrepairando às
pelejas partidárias e independente delas?  E o Primeiro Ministro, como Chefe
de Governo? Caberia ao Rei cuidar das pilastras permanentes da Nação, como,
por exemplo, talvez exagerando na dose, do Banco Central, cujo Presidente
seria escolhido por Sua Majestade, sem tomar conhecimento da coloração
partidária dele, mas só de seus atributos de competência e honradez. Ao
Primeiro Ministro tocaria administrar o dia a dia do País e, se for o caso,
domar as futricas da política: futricas não palacianas...

Pensemos nisso: será que somos todos monarquistas?

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    Pádua Ramos


    Administrador e Advogado. Foi Técnico em Desenvolvimento Econômico do BNB, Secretário do Planejamento dos Estados do Ceará e do Piauí, Presidente dos bancos dos Estados do Ceará e do Piauí, Superintendente-Adjunto da SUDENE e Pró-Reitor de Planejamento da UECE.