Economia no Mundo e no Brasil



Osmundo Rebouças

http://www.economiasociedade.com

ECONOMIA NO MUNDO E NO BRASIL:

 ECONOMIA MUNDIAL E BRASILEIRA

Mensalmente, o boletim Macrométrica nos cede os resultados de suas previsões, para os próximos 5 anos, para a economia mundial e  brasileira. São estimativas baseadas em modelos econométricos de alto nível, sob a coordenação do Prof. Francisco Lopes, para apresentações em algumas grandes empresas.

 A) CENÁRIO DA ECONOMIA MUNDIAL

Produção industrial dos EUA perdeu velocidade em 2011, mas sobe forte em 2012-14.

Taxa de Variação % dez/dez

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Produção Industrial EUA

3,8

5,8

5,9

6,1

3,9

1,0

-1,9

Produção Industrial Eurozona

-1,4

-0,2

5,1

4,7

4,4

2,5

-1,6

Produção Industrial Japão

-1,5

4,9

4,7

2,4

1,0

-0,2

-2,1

Nível de atividade europeu evolui com atraso registrando queda na variação 12 meses ao longo de 2012.

Produção industrial americana retorna ao nível de início de 2008 ao final de 2012; a européia só em 2015. Devido à recessão de 2016-17, este ainda será o nível de atividade industrial por volta de 2019!

Valor em dólares das exportações mundiais caiu em 2009 e voltou a subir forte em 2010-11, mas deve cair novamente em 2012. PIB americano apresentará forte crescimento na média anual em 2013-15.

Variação Média Anual %

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Exportações Mundiais em US$

17,1

-5,9

5,2

13,1

11,6

7,9

0,8

Produção Mundial de Aço Bruto

6,4

5,1

6,0

6,4

5,6

4,4

2,0

PIB Estados Unidos

1,7

2,7

3,8

4,3

4,1

2,8

0,9

Produção Industrial EUA

4,1

5,4

5,7

6,1

5,1

2,9

-0,8

PIB Eurozona

1,5

-0,3

0,6

2,0

2,6

2,7

1,6

Produção Industrial Eurozona

3,6

-2,8

4,3

4,1

4,7

3,6

0,0

PIB Japão

-0,1

2,2

2,3

2,1

1,7

1,4

0,8

Produção Industrial Japão

-2,8

5,0

4,6

3,7

1,8

0,7

-1,7

PIB China

9,3

7,5

7,4

8,8

9,2

9,0

8,3

Final de Ano

Taxa de Desemprego EUA (%)

8,5

7,8

7,2

6,1

5,0

4,5

4,7

Taxa de desemprego nos Estados Unidos mantém um movimento de queda que, porém, só ganhará maior velocidade em 2014. A lenta recuperação nos preços de imóveis e no financiamento de hipotecas, combinada à retração nas finanças estaduais e municipais e ao impasse político no Congresso, pelo menos até o final de 2012, compromete a velocidade da recuperação na geração de empregos. 

 Taxa de crescimento (% média anual) do PIB China fica próxima a 7% em 2012 e converge no longo prazo para a faixa de 8 a 9%.

B) CENÁRIO PARA A ECONOMIA BRASILEIRA 

Depois do forte e atípico crescimento de 7,5% em 2010, era natural que a economia brasileira perdesse velocidade em 2011. Isto se deveu também ao impacto do aumento do coeficiente de importações nos setores de bens de consumo duráveis e intermediários. A economia volta a se acelerar ao longo de 2012, com a variação percentual do PIB ao final do ano próxima a 4,0% (sobre mesmo trimestre do ano anterior).

Se considerarmos as taxas de crescimento do PIB medidas pela variação percentual sobre o mesmo trimestre do ano anterior teremos números na faixa de 4,5 a 5,0% entre 2013-15, com destaque para a produção de bens de capital e de bens duráveis de consumo e para a construção civil. Note que o crescimento na ponta em 2011 foi de apenas 1,4%.

Variação % 4 Trimestres

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Produto Interno Bruto

1,4

4,0

4,5

4,5

4,8

3,9

3,6

PIB Indústria

-0,4

4,0

5,2

5,2

5,3

3,9

3,2

PIB Indústria Transformação

-3,1

3,4

5,1

4,7

4,8

3,3

2,6

     Duráveis Consumo

-9,5

2,6

7,3

6,5

6,9

5,2

4,8

     NãoDuráveis Consumo

-1,5

4,1

4,4

4,3

4,6

3,9

3,8

     Bens Intermediários

-0,8

2,8

3,8

4,9

4,7

2,9

2,2

     Bens de Capital

-1,4

7,5

16,9

12,6

12,8

9,8

7,4

PIB Extrativa Mineral

3,8

6,4

2,0

5,3

4,1

5,2

3,0

PIB Construção Civil

3,1

6,8

7,5

7,1

7,8

5,6

4,9

PIB Agricultura

8,4

3,9

2,2

3,6

3,4

3,8

4,5

PIB Serviços

1,4

3,6

3,9

3,8

4,1

3,4

3,3

Em termos de taxas de crescimento da média anual a produção industrial crescerá na faixa de 4,5% a 5,5% em 2013-15. Maiores taxas de crescimento em 2012 na extrativa mineral (6,0%) e na construção civil (5,0%). Produção de bens de consumo, bens de capital (particularmente caminhões) e bens intermediários com crescimento reduzido em 2012, ainda em conseqüência das importações e do carry-over negativo de 2011 (inclusive devido à acumulação excessiva de estoques). Produção de bens duráveis de consumo ainda com queda em 2012, refletindo principalmente o impacto da retração na produção de automóveis.

Variação % Média Anual

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Produto Interno Bruto

2,7

2,7

4,4

4,6

4,8

4,1

3,6

PIB Indústria

1,6

1,7

4,6

5,4

5,4

4,4

3,3

PIB Indústria Transformação

0,1

0,1

4,2

5,0

4,9

3,7

2,7

     Duráveis Consumo

-2,0

-4,3

6,9

6,5

7,1

5,7

5,0

     NãoDuráveis Consumo

-0,2

2,9

4,2

4,4

4,6

4,0

3,6

     Bens Intermediários

0,3

0,8

3,3

5,2

4,8

3,5

2,4

     Bens de Capital

3,3

-0,8

13,2

14,2

13,2

10,6

7,9

PIB Extrativa Mineral

3,2

5,9

3,2

4,2

4,6

4,8

3,7

PIB Construção Civil

3,6

4,7

7,0

7,8

7,8

6,4

5,0

PIB Agricultura

3,9

3,7

2,8

3,1

3,4

2,8

2,7

PIB Serviços

2,7

2,6

3,8

3,8

4,1

3,6

3,2

Em 2017-18 a taxa de crescimento da economia brasileira será afetada pela desaceleração global da atividade econômica e pela política monetária mais restritiva em resposta à aceleração inflacionária produzida pela correção da taxa de câmbio. No longo prazo a taxa de crescimento do PIB converge para a faixa de 4,0 a 4,5% ao ano. Crescimento anual fica próximo a 4,0% na média de 2012 a 2022.

 A desaceleração mundial, em combinação com a forte recuperação brasileira, produzirá novo descompasso nas trajetórias de evolução de exportações e importações em 2013-14.

 Como conseqüência os saldos da balança comercial (exportação menos importações de bens) e em transações correntes (incluindo serviços, juros e remessas de lucros) apresentarão tendência de deterioração até 2014, quando começa uma reversão como conseqüência do ajuste da taxa de câmbio. 

US$ bilhões

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

Balança Comercial

29,8

26,8

6,2

0,3

12,2

24,6

15,1

-1,8

Transações Correntes

-52,5

-54,2

-75,9

-83,1

-68,6

-63,8

-79,2

-100,0

Invest Direto+Carteira

99,4

88,2

70,1

64,5

59,5

58,3

61,5

62,1

% do PIB

Balança Comercial

1,2

1,2

0,3

0,0

0,5

0,8

0,5

-0,1

Transações Correntes

-2,1

-2,3

-3,1

-3,3

-2,5

-2,1

-2,4

-2,9

Invest Direto+Carteira

4,0

3,8

2,8

2,5

2,2

1,9

1,9

1,8

Reservas Internacionais

14,2

15,6

13,5

11,7

10,1

8,5

7,0

5,4

% Exportações

Balança Comercial

11,6

10,4

2,4

0,1

3,7

6,7

4,0

-0,5

Transações Correntes

-20,5

-21,0

-29,9

-29,2

-20,8

-17,3

-20,9

-26,4

Invest Direto+Carteira

38,8

34,1

27,5

22,7

18,1

15,9

16,2

16,4

 

Como percentual do PIB o balanço em transações correntes evoluirá para um déficit na faixa de 2,5 a 3,0% por volta de 2018, convergindo para próximo de 2% em 2022. Investimento direto (FDI) mais carteira, depois de alcançar 5,5% do PIB em 2009, 5,0% do PIB em 2010 e 4,0% do PIB em 2011, perde intensidade até 2018. No longo prazo também converge pra 2%.

Taxa de câmbio R$/US$ com tendência ascendente chegando próximo a R$2,35 em 2019 e se mantendo no longo prazo na faixa de R$2,20 a R$2,25. O Banco Central utilizará suas reservas internacionais e operações com derivativos para obter um ajuste gradual do câmbio, “administrando” passo a passo o ritmo da desvalorização, particularmente em 2012-14 e em 2017-18, de modo a manter a inflação permanentemente abaixo do teto da meta de 6,5%.

Final de Ano

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Taxa de Câmbio R$/US$

1,88

1,96

2,03

2,14

2,19

2,15

2,20

EMBI+ Brasil

223

160

111

95

92

96

117

Taxa dos FED funds %

0,25

0,25

1,00

4,00

5,00

4,50

2,25

Taxa SELIC%

11,00

8,50

7,50

7,50

8,25

8,50

7,75

Taxa Real SELIC%

4,8

3,7

3,1

2,5

1,9

2,6

3,1

TJLP %

6,00

6,00

6,00

6,00

6,00

6,00

6,00

 Taxa SELIC depois de ter atingido um pico de 12,5% fechou 2011 em 11,0% e evoluirá para 8,5% em 2012, com o COPOM estabilizando a taxa entre agosto e dezembro. Em 2013 cai para 7,5%, mas volta a subir moderadamente em 2015-16 com a nova aceleração da inflação produzida pelo ajuste cambial. No longo prazo converge para próximo de 6,0%. De forma gradual a economia brasileira evoluirá para taxas de juros alinhadas ao padrão internacional, o que permitirá uma livre flutuação autêntica da taxa de câmbio.

Convergência entre as taxas de juros SELIC e dos FED funds ocorre de forma muito gradual. No longo prazo taxa dos FED funds converge para próximo de 4,0% e o diferencial entre as taxas converge para a faixa de 2,0 a 3,0 pontos de percentagem.

Taxa de inflação 12 meses no IGPM supera a do IPCA entre 2014 e 2015 e em 2018 em virtude do ajuste cambial.  

Relação Ibovespa/SELIC sobe consistentemente até meados de 2015. No acumulado desse período a rentabilidade das ações deve superar em larga medida a da renda fixa. Ibovespa ainda deve fechar o ano de 2012 abaixo dos 70 mil pontos.

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

SP 500, EUA

1258

1445

1689

1924

2039

1927

1822

Dow Jones EUA

12218

13723

16124

18699

20257

19534

18637

DAX, Alemanha

5898

6919

8382

11102

13515

12831

11564

NIKKEI, Japão

8455

10229

12881

15998

18337

18149

17512

CAC40, França

3160

3037

3065

3202

3042

2341

1684

Ibovespa

56754

67402

92734

118104

132823

118779

101080

DAX em US$

7654

8421

10988

14919

17042

15487

14010

NIKKEI em US$

110

147

192

214

215

206

197

CAC40 em US$

4100

3696

4018

4303

3836

2825

2040

Ibovespa em US$

30256

34369

45676

55181

60604

55191

46045

Ibovespa US$ / Dow

2,48

2,54

2,89

2,97

3,00

2,80

2,47

Ibovespa / SELIC  (*)

95

103

132

156

163

135

106

 (*) Fechamento do último mês observado igual a 100



    Osmundo Rebouças


    Economista pela UFRJ; Mestre e PhD pela universidade de Harvard(EUA); foi professor da FEA-USP; Técnico do IPEA; Deputado Federal constituinte; Diretor do Banco do Nordeste; trabalhos publicados nas áreas de Macroeconomia, finanças públicas e economia regional; Presidente do Conselho deliberativo da CARE Brasil-SP(1998-2001); Expositor em conferências nacionais e internacionais; consultor de empresas.